O lançamento simboliza a consolidação do modelo de parcerias público-privadas no setor espacial e insere o Brasil no mercado global de lançamentos orbitais, com capacidade de oferecer soluções seguras e competitivas
O Brasil se prepara para um marco histórico no setor aeroespacial. No dia 22 de novembro, às 15h (horário de Brasília), está previsto o lançamento do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, da empresa Innospace, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. A missão, denominada Operação Spaceward, é conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e representa o primeiro lançamento espacial orbital comercial realizado a partir do território nacional.
O foguete transportará oito cargas úteis, sendo sete brasileiras e uma estrangeira, com destaque para três projetos apoiados diretamente pela AEB. As cargas somam cerca de 18 quilos e envolvem universidades, institutos de pesquisa e empresas nacionais.
O presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, destaca o caráter inédito da missão.
“Um dos aspectos mais relevantes da Operação Spaceward é a oportunidade de lançar cargas úteis brasileiras a partir de uma base nacional. Teremos satélites desenvolvidos no Brasil sendo colocados em órbita, resultado do trabalho realizado em universidades e institutos de pesquisa tecnológica”,
afirmou Chamon.
Cargas apoiadas pela AEB
A AEB foi responsável pela autorização de lançamento da missão, concedida em maio de 2025, e pelo apoio técnico e institucional a três das cargas brasileiras: os satélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e o Sistema de Navegação Inercial (SNI-GNSS), desenvolvido por um consórcio formado pelas empresas Concert Space, Cron e Horuseye Tech.
Os dois satélites fazem parte da plataforma FloripaSat-2, desenvolvida pelo SpaceLab/UFSC, e têm como objetivo validar em órbita tecnologias de comunicação, energia e controle criadas no próprio laboratório. O FloripaSat-2B é o primeiro satélite da nova geração da plataforma a ser totalmente nacional, com antenas, estrutura e painéis solares produzidos no Brasil.
O SNI-GNSS, por sua vez, é resultado de uma encomenda tecnológica da AEB. O sistema será testado em voo para validar o desempenho de sensores e algoritmos de navegação capazes de determinar, com precisão, a posição, velocidade e atitude de foguetes e veículos espaciais. Além das aplicações aeroespaciais, a tecnologia pode ser usada em drones, veículos terrestres, embarcações e dispositivos de Internet das Coisas (IoT), representando um avanço estratégico para a indústria nacional.
Satélite educacional com participação da AEB
Entre as cargas embarcadas está também o PION-BR2 – Cientistas de Alcântara, um satélite educacional desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com a AEB, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a startu PION. O satélite levará mensagens de estudantes da rede pública de Alcântara ao espaço, simbolizando uma conexão entre ciência, educação e cultura local.
Além do caráter simbólico, o PION-BR2 permitirá testes de módulos nacionais de comunicação, energia e computadores de bordo, o que contribui para o fortalecimento da indústria espacial brasileira e a formação de jovens talentos.
Outras cargas da missão
A UFMA também participa com o Jussara-K, satélite voltado à coleta e transmissão de dados ambientais em regiões remotas, desenvolvido em parceria com startups e instituições locais.
A empresa Castro Leite Consultoria (CLC) embarcará dois equipamentos — o Sistema de Navegação Inercial PINA-FD e o Sistema de Radiofrequência Sputnik — voltados à qualificação tecnológica de componentes eletrônicos em ambiente espacial.
A única carga estrangeira da missão é o SOLARAS-S2, da empresa indiana Grahaa Space, um módulo de comunicações projetado para observação solar e análise de fenômenos que afetam sistemas tecnológicos na Terra.
Alcântara no cenário internacional de lançamentos
A Operação Spaceward é resultado de um edital de chamamento público publicado pela AEB em 2020, que selecionou empresas interessadas em realizar lançamentos a partir do CLA. A Innospace foi uma das escolhidas e assinou contrato com o Comando da Aeronáutica (COMAER) em 2022.
O lançamento simboliza a consolidação do modelo de parcerias público-privadas no setor espacial e insere o Brasil no mercado global de lançamentos orbitais, com capacidade de oferecer soluções seguras e competitivas.
Com 21,9 metros de comprimento e quase 20 toneladas, o Hanbit-Nano é um foguete de propulsão híbrida (sólido e líquido), capaz de transportar até 90 quilos de carga útil. O veículo obteve autorização de lançamento da Korea AeroSpace Administration (KASA) e da AEB, após o cumprimento de todos os requisitos técnicos e de segurança.
Para Chamon, a Operação Spaceward também reflete o amadurecimento do ecossistema espacial brasileiro e o papel da AEB na integração entre academia, governo e indústria.
“Essa missão permite aproveitar o conhecimento produzido em programas de pós-graduação e centros acadêmicos, levando ao espaço tecnologias criadas no país. As cargas embarcadas contemplam diferentes aplicações, como observação da Terra, comunicação e imageamento, todas voltadas ao fortalecimento da capacidade tecnológica nacional. Portanto, a presença de cargas úteis brasileiras neste lançamento representa um passo essencial para o avanço e a consolidação do Programa Espacial Brasileiro”,
concluiu.
A Operação Spaceward representa um avanço estratégico para o Programa Espacial Brasileiro, com benefícios diretos para a ciência, a educação e a indústria nacional. O evento confirma o Centro de Lançamento de Alcântara como polo de inovação e cooperação internacional e consolida o Brasil como o único país da América Latina com capacidade para realizar lançamentos orbitais e suborbitais a partir de seu próprio território.
Com informações e imagens da AEB e Innospace
